Anna Paula Feminella deixa Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência e expõe fragilidades da política pública no Brasil
Anna Paula Feminella não ocupa mais o cargo de Secretária Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A exoneração, confirmada nesta quarta-feira (8), marca a primeira baixa do alto escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 e ocorre em meio a fortes críticas de entidades da sociedade civil à condução das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência no país.
Feminella esteve à frente da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência desde o início da atual gestão, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Mesmo diante de manifestações públicas e pedidos formais de permanência no cargo por parte de organizações representativas do segmento, a gestora anunciou sua saída após quase três anos de atuação.
Em nota pública, Feminella afirmou que o encerramento do ciclo não representa um afastamento da causa. “Deixo o cargo com a certeza de que o trabalho coletivo transforma estruturas, mesmo quando elas resistem. Foram muitas entregas, outras tantas em processo, e aprendizados profundos sobre como o capacitismo ainda opera de forma estrutural nas instituições”, declarou.
Bastidores, conflitos e resistência institucional
De acordo com informações apuradas, o ambiente interno no ministério já demonstrava desgaste desde as eleições do CONADE, realizadas em novembro do ano passado. Fontes relataram resistência à condução da secretaria, especialmente em interlocuções com a própria ministra Macaé Evaristo.
Há, inclusive, apurações internas sobre episódios de conflitos verbais e divergências quanto a decisões estratégicas, o que teria contribuído para a saída da secretária. A assessoria de comunicação do ministério optou por não comentar o caso.
Críticas ao governo e cobrança por políticas estruturantes
A exoneração reacendeu críticas mais amplas sobre a condução da agenda da pessoa com deficiência no governo federal. Para Abrão Dib, presidente da ANAPcD, o governo não avançou de forma concreta nas pautas estruturais.
“Permanece a sensação de que a inclusão foi tratada mais como estratégia de marketing do que como política de Estado. Seguimos sem políticas públicas verdadeiras, à mercê de ações pontuais. A grande pergunta é se haverá coragem para implantar, por exemplo, a Avaliação Biopsicossocial Unificada, ou se os direitos continuarão sendo fragilizados”, afirmou.
Futuro indefinido da pasta
Apesar da saída da secretaria, fontes indicam que Anna Paula Feminella continuará no governo federal, ocupando outro cargo na administração pública. Ela é servidora federal concursada pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e especialista em Gestão Pública.
Até o momento, não foi anunciado oficialmente quem assumirá o comando da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Desde a noite anterior à exoneração, a pasta permanece sem liderança formal, o que amplia a apreensão de movimentos sociais e famílias atípicas em todo o país.
