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Terça-feira, 27 de Outubro 2026
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Análise: Trump pode não reconhecer reeleição de Lula no 2° turno

Ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, pode ter fornecido justificativa perfeita para algo que já estava no radar do governo dos Estados Unidos

Análise: Trump pode não reconhecer reeleição de Lula no 2° turno
CNN
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O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin forneceu a justificativa perfeita para algo que já estava no radar do governo dos Estados Unidos: o presidente Donald Trump não deverá reconhecer a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

Nos últimos 13 meses, Trump esperou pacientemente para reivindicar o mérito por uma eleição da direita no Brasil, como fez em relação a outros países da região. Ele não apoiou explicitamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), porque percebeu que isso poderia ajudar Lula.

Agora, a frustração do presidente americano se soma às suspeitas, que foram alimentadas no seu entorno pela prorrogação por duas horas do fechamento das urnas neste domingo (26), a pedido da campanha de Lula, e por ordem de Zanin, ex-advogado do presidente.

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O advogado americano Martin De Luca, que representa o Trump Media & Technology Group e a plataforma Rumble em processos no STF, postou um texto no X afirmando que, diante da decisão de Zanin, a comunidade internacional não reconheceria uma eventual vitória de Lula, que passaria a ser visto como o novo Nicolás Maduro, ditador deposto da Venezuela, que comandou a fraude eleitoral de 2024.

Donald Trump Jr., que costuma agir como um porta-voz avançado do pai, compartilhou a mensagem de De Luca, com o comentário: "Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todo mundo na grande imprensa dos Estados Unidos perderia a cabeça, mas acho que eles simplesmente estão escolhendo ficar em silêncio porque tudo isso é em nome da causa".

A provável derrota dos republicanos na Câmara dos Deputados dos EUA, nas eleições de 3 de novembro, servirá de incentivo para Trump tensionar a relação com o governo Lula.

Os democratas deverão usar a maioria nas comissões para lançar investigações de possíveis atos de corrupção e abuso de poder no governo Trump, incluindo a intimação de altos funcionários do governo, como fizeram depois das eleições de meio de mandato de 2018.

Trump deverá reagir com o expediente político que tem usado para concentrar poder e justificar as decisões sobre tarifas, imigração e ações militares sem consultas ao Congresso: a tese da ameaça à segurança nacional.

A rejeição do governo Lula à designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas deverá ser usada pelo presidente dos EUA como pretexto para lançar operações militares, não necessariamente invadindo o território brasileiro, mas pressionando no seu entorno.

Isso, por sua vez, provocará reações enérgicas do governo Lula, abrindo caminho para uma espiral de tensionamento entre os dois países. A direita brasileira, com maioria no Congresso, ajudará a alimentar essas tensões, com a tese da fraude eleitoral e do envolvimento do governo com o "narcoterrorismo".

Até onde Trump irá com esse tensionamento dependerá das pressões que os democratas exercerão sobre seu governo e, consequentemente, do quanto ele precisará lançar mão da carta da segurança nacional, mais fácil de jogar na América Latina, dada a fragilidade militar e a proximidade geográfica.

FONTE/CRÉDITOS: CNN
O Estado Noticias

Publicado por:

O Estado Noticias

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